quarta-feira, 24 de junho de 2020
terça-feira, 9 de junho de 2020
Os remédios já não fazem mais efeito.
Falta vontade. Sobra silêncio.
Para fora do corpo, nada.
Dentro, vulcão em erupção.
Lava incandescente, quente e raivosa.
Campo minado. Bomba relógio.
Nenhuma palavra brota da boca.
Nascente seca. Silêncio paralisante.
Olhar perdido no caos de dentro.
Tudo se mistura ao sangue que sai da veia que rompe.
Sangue, suor, lágrimas, silêncio.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2020
Abdução
quarta-feira, 27 de novembro de 2019
quinta-feira, 10 de outubro de 2019
Entremundos
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
Mosto
As cordas das relações estão puídas.
Convivência, quase insuportável para uns.
Insustentável para outros.
Flerto com os piores extremos de mim.
Reconheço a pequenez. enxergo um abismo profundo.
Estado bruto embriagado. Deuses da carnificina. Lua gélida. pálida. nada ilumina.
Gritar a voz rouca. os agudos que ferem dentro. Pontiagudos e imprecisos.
sangue derramado feito vinho.
Fermentado, grosso, amargo.
segunda-feira, 5 de agosto de 2019
re-corrente
pedra. nó. coisa inanimada.
sem vida.
onde não se sabe bem.
coisa impedidora.
de fala. riso. ar. vontade.
coisa qualquer.
causadora de amargamento.
ressecadura.
travação de mandíbula.
acinzamento de vista.
turvo. nevoeiro escuro.
cenário do sonho de sempre.
escuro. outra vida. morte.
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
deus, quem?
sábado, 13 de outubro de 2018
Silêncio dos dias
Procuro, mas não encontro. Apago as luzes. Nada.
Os fantasmas de minha mente não se calam.
Rebelam-se. Se alvoroçam.
Não sou propriedade de ninguém. Nem minha.
Às vezes não pareço dona nem de minh'alma.
Nada. Controlo nada.
Nem os fantasmas que se recusam a silenciar-se. Falam.
Juntos, falam alto, todos. Ao mesmo tempo. Não entendo.
Tento não mais ouvir suas vozes.
Não me obedecem. Vozes. Falam. Gritos e sussurros.
Todos ao mesmo tempo. Tempo. Temo.
Quero o silêncio. Silencio-me. A casa, luzes apagadas.
Me enxergo pela fresta da cortina.
Barulho algum, ou chiado, ou ronronar do gato.
Mas não há silêncio. Dentro.
Vozes. Vozes. Vozes.
Frases sem sentido. Concordâncias malfeitas.
Pretérito imperfeito. Futuro que não enxergo.
Ameaço. Peço. Calem-se.
Silenciem-se todas ou as mato.
Seria o quê pior que matá-las?
Deixar que então me matem, quem sabe?
Não sou propriedade. Nem minha, nem delas.
Procuro o silêncio. Não acho.
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
Pretérito, futuro imperfeito
Sou feita de sabores que ainda não conheço. Notas que ainda não ouvi. Lugares que ainda não fui.
Da minha vida, sei apenas a hora que nasci. Não sei em que momento me despeço. Desconheço o tempo que me resta, como desconheço o sabor da próxima refeição. Também não sei como será o gozo do próximo afeto.
Próximo, pródigo ou prólogo.
Sei das minhas inquietações. Das de hoje. Que podem ter-se somando às de ontem. Ou se tornarem nada com as de amanhã.
Em minha vida, existe terreno árido. Tentativas. Areia, asfalto, água, ar. Terra que não solidifica. Água que teima em brotar. Livro que ainda não li, texto que não sei se vou escrever.
Não existe nada de certo.
Existem palavras. Muitas. Mal ditas, não ditas, pensadas. Soltas, juntas, postas na mesma frase em lugares diferentes. Sujeito que vira predicado, particípio que vira gerúndio. Pretérito imperfeito que pode virar futuro do subjuntivo.
Perfeito, presente, futuro, imperativo, ser. Imperfeito. Possibilidades.
Vozes que calam e cessam.
Resto, restas, restos.
Restos dos vinhos vinagrados para entorpecer a alma inquieta. Durmo, acordo. Mais um trago.
Mais um, nenhum. Sonho.
O cheiro do café que me acorda. Os desejos de minha alma onde padeço.
